DESCANSO

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Trago no bolso todos os meus delírios, para trás não deixo nenhum deles. Carrego o peso dos meus erros para lembrar que também sou feito de remendos. Acolho no corpo as cordas rompidas e o vazio das lamparinas; sou a minha jornada, sem bússola ou trilhas.

Quero meus falsos cognomes quando estou em minha obscena calmaria. Quero o turbilhão das letras, das cores, das rotas… quero ser sufocado em minha própria prosa. Quero me vestir de intrépido, me retalhar como o descalço e o gélido; Quero me fazer cálido e me esmurrar quando avistar o simplório. Quero sentir a dor como a de um estrangeiro, me deleitar no desperdício e na estranheza.

Me deixe sentir o frio, queimar o dedo, raspar a ferida. Sou capaz de trair o falso em suas próprias ofensas, assim como ser leal a quem me ofendia. De derrubar o cético, de me rivalizar com o elementar. Porque é preciso continuar a cantiga, é preciso esgotar as tintas. Silêncios sempre me deram amor ou poesia.

João Romova


Man In A Trench Coat | Beverly Brown

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