A MORTE DE JOÃO ROMOVA
Foi repentinamente sutil. Gentil como eram também os seus passos e suas palavras. Não houve nada admirável durante todo o dia, e também nada heróico. Talvez porque ele sempre fizera questão de ser desse tipo, um sábio vulgar.
Não houve pressentimento, não houve um presságio qualquer. Foi como ele sempre quis. Misteriosamente comum.
Tomou café preto, fumou seu charuto e leu os seus preferidos. Não recebeu ninguém em casa, gastou horas em sua horta. Ouviu piano o quanto quis. Dormiu.
Ao entardecer sentou na cadeira da varanda e, do mesmo jeito sereno que fazia todas as suas coisas, partiu. Não houve dor, não houve culpa. Horizonte sem novelos. Aquietou-se.
E, enfim, houve descanso para aquele que carregava consigo nada além do seu próprio tamanho.



[...] Havia resolvido passar uns dias em Bay Smooth e foi lá que soube que meu amigo havia morrido. [...]
A morte de um amigo. « Letras e Flores disse isso em janeiro 19, 2012 às 11:08 pm