A MORTE DE JOÃO ROMOVA

Foi repentinamente sutil. Gentil como eram também os seus passos e suas palavras. Não houve nada admirável durante todo o dia, e também nada heróico. Talvez porque ele sempre fizera questão de ser desse tipo, um sábio vulgar.

Não houve pressentimento, não houve um presságio qualquer. Foi como ele sempre quis. Misteriosamente comum.

Tomou café preto, fumou seu charuto e leu os seus preferidos. Não recebeu ninguém em casa, gastou horas em sua horta. Ouviu piano o quanto quis. Dormiu.

Ao entardecer sentou na cadeira da varanda e, do mesmo jeito sereno que fazia todas as suas coisas, partiu. Não houve dor, não houve culpa. Horizonte sem novelos. Aquietou-se.

E, enfim, houve descanso para aquele que carregava consigo nada além do seu próprio tamanho.

joaoromova2

~ por João Romova em janeiro 13, 2012.

Uma resposta to “A MORTE DE JOÃO ROMOVA”

  1. [...] Havia resolvido passar uns dias em Bay Smooth e foi lá que soube que meu amigo havia morrido. [...]

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.