O MENINO DO LIVRO

Era nublado o dia. E uma tal constatação provocou em mim uma nova visão, cordial com todas as minhas coisas. As que dormiam comigo, tão vãs nessa torpe companhia, se desfizeram. As cruas e reais, hoje me chamam de filho, e eu sequer percebi.

Não me feria compreender aquilo. Não me ofendi, não me frustrei. Tudo como antes eu não tinha.

Sequer me arranhei rir de tudo isso. Mas toda a dor de uma coisa absurda, toda a dor que não cabe numa só das mãos, toda lágrima incabível… tudo isto transformou-se numa vontade de querer pular da árvore com um guarda-chuva nas mãos. Um sujeitar-se à aventura, brincar de balanço com a desventura. Uma coragem bêbada de inocência. Uma doce bravura.

Isso não tinha nada a ver com alegria ou esperança. Era só o meu peito virando mar e eu me nadando por dentro. Que rompia e destruía tudo. E, ainda assim, constante calmaria. Era só o meu riso que, como nuvem, podia se transformar em qualquer coisa; era algodão doce e era trovão.

Eu ainda não sei ao certo que livro me explicou tudo isso. Nem sei se ainda consigo achá-lo outra vez. Mas continuarei lendo todas as histórias, chorando todos os contos até que um dia eles resolvam me explicar as coisas que são cores do que já sonhei.

joaoromova2

~ por João Romova em setembro 18, 2011.

2 Respostas to “O MENINO DO LIVRO”

  1. genial…talvez um dos melhores até hoje!

  2. saudade.
    é o que consigo dizer.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.