VOLTA
Ela chegou, desceu do ônibus e procurou a esquina da sua rua. Com as duas malas na mão ela viu onde nascera a alma da sua alma. Colocou as malas no chão. Não estavam mais ali a casa rosa, o pé de jabuticaba, os meninos nas bicicletas. Não ouviu o som de água, o brincar dos cachorros, o rosto dos seus amigos. Sentou e ficou assim por um tempo, ela e ela só.
Tirou do bolso do vestido florido um pedaço de papel e desenhou a rua tal como era. Colocou lá os pássaros todos e, com eles, os risos, as brincadeiras e o sol. Encheu tudo de nuvens e crianças.
Não bateu na porta, não abraçou ninguém, não sentiu saudade. Levantou levando consigo o máximo e o suficiente.
A gente encontra lar naquilo que nunca deixa de ser parte da gente.

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“Homesick… cause I no longer know where home is” | Homesick | Kngs of Convenience
“Meio dia” (fragmento) | Lúcia Hiratsuka | http://www.luciahiratsuka.com.br


Oi João, muito obrigada pela visita no meu blog. Adorei o texto que juntou-se ao sumiê.
Você falou de Coralina, tem a ver com Cora Coralina? Acabei de ilustrar um livro dela, estarei postando em breve.
Um abraço
Lúcia
lúcia hiratsuka disse isso em março 31, 2011 às 11:05 am
A gente encontra lar naquilo que nunca deixou de ser nosso, ainda que o tempo insistentemente leve-o de nós.
Thiago disse isso em abril 4, 2011 às 2:47 pm
Sabe, João. Eu demoro muito a vir aqui.
Mas, sempre que venho, fica difícil não ficar me relembrando que preciso voltar, assim que der.
E sim, “a gente encontra lar naquilo que nunca deixa de ser parte da gente”.
Um beijo.
Vanessa disse isso em abril 23, 2011 às 5:47 pm
aparece Jão.
Thiago disse isso em maio 17, 2011 às 7:46 pm
Que texto lindo! Simples e lindo.
Vou aparecer aqui mais vezes. =)
Samilla Fonseca disse isso em julho 8, 2011 às 12:17 pm
Se você não volta, como é que a gente fica?
MissDemoiselle disse isso em julho 28, 2011 às 12:08 pm