GRAFITES
Disseram que minha escrita era demasiadamente cinza. Peguei meus lápis para buscar alguma culpa nos grafites. Rabisquei as paredes, os papéis, o chão. Vi lá todas as minhas cores. Meus azuis, meus amarelos e meus marrons.
Disseram que minha escrita tinha gosto de choro. Olhei minhas cicatrizes e não senti nenhum medo. Passei o dedo sobre a que estava no joelho, senti cócegas. Lembrei das muitas bicicletas, das minhas árvores e de todos os beijos.
Nasci feliz. Em mim habitam as cores e os risos que não estão em meus hostis.

Foto de A. Green


[...] GRAFITES | João Romova [...]
Lápis de Romova disse isso em setembro 8, 2011 às 10:19 am