A MORTE DE JOÃO ROMOVA

•janeiro 13, 2012 • 1 Comentário

Foi repentinamente sutil. Gentil como eram também os seus passos e suas palavras. Não houve nada admirável durante todo o dia, e também nada heróico. Talvez porque ele sempre fizera questão de ser desse tipo, um sábio vulgar.

Não houve pressentimento, não houve um presságio qualquer. Foi como ele sempre quis. Misteriosamente comum.

Tomou café preto, fumou seu charuto e leu os seus preferidos. Não recebeu ninguém em casa, gastou horas em sua horta. Ouviu piano o quanto quis. Dormiu.

Ao entardecer sentou na cadeira da varanda e, do mesmo jeito sereno que fazia todas as suas coisas, partiu. Não houve dor, não houve culpa. Horizonte sem novelos. Aquietou-se.

E, enfim, houve descanso para aquele que carregava consigo nada além do seu próprio tamanho.

joaoromova2

SÁBADO

•outubro 5, 2011 • 1 Comentário

Ela fechou as cortinas. Sentou sobre a colcha rosa e deixou a xícara vazia sobre a cama. Riu baixinho, feliz consigo. Ficou ouvindo o vizinho tocar piano e pensando em sua própria sina: abraçar aquele fardo com encanto; ver no seu tom de pele os cortes, mas não deixar de amar as suas nuances.

Quem poderia ver no abandono um tipo de reencontro? Quem veria na mudez um amigo fiel? Houve quem não dissesse nada de bom. Nada de sórdido. Melhor assim. Quando se tem nas lembranças pessoas e perdas, é mais fácil prosseguir.

joaoromova2

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.